Qual o problema central enfrentado pelo texto?

Tanto a crise do Antropoceno quanto o fim da globalização para Hui são sentidos modernos de cosmopolítica, por isso, busca estabelecer um dialogo com o movimento antropológico contemporâneo chamado de “virada ontológica” (através da pluralidade ontológica de Descola) que busca superar a modernidade, mas que na visão de Hui, possui um tratamento insuficiente da questão da tecnologia ao priorizar a natureza.

Qual a tese / posição proposta pelo autor?

Para Hui, é necessário uma cosmopolítica que considere as cosmotécnicas, pois a modernidade, juntamente com a sua globalização, promoveu uma ruptura ontológica e epistemológica ao buscar uma espécie de sincronização global do cosmos, levando a uma universalização / singularização da questão da tecnologia, desconsiderando as múltiplas cosmotécnicas.

Qual a argumentação oferecida para sustentar a tese / posição ?

Hui argumenta que o pensamento moderno foi muito influenciado por uma noção heideggeriana muito estrita de técnica, que internacionaliza (e não universaliza) a tecnologia moderna como se fosse a única existente, com um veredito que antecipa a “globalização tecnológica como uma forma de neocolonização que impõe sua racionalidade via instrumentalidade”.

Para Hui, é necessário uma cosmopolítica que leve em conta as cosmotécnicas, e embora a chamada “virada ontológica” busque apresentar uma proposta que considere múltiplas ontologias (ex: as quatro ontologias de Descola), possui um tratamento insuficiente a questão da tecnologia ao atribuir demasiada importância a natureza e ao não humano, por isso, propõe um retorno a cosmopolítica kantiana, que considere a relação entre tecnologia e natureza sem deixar de considerar a modernização, defendendo que assim como feito em HUI Yuk. The Question Concerning Technology in China - An Essay in Cosmotechnics (2016), todo país europeu deveria sistematizar a sua cosmotécnica e a história do pensamento sobre tecnologia para uma superação da modernidade que não leve ao fascismo e as guerras.