Reflexões sobre a dialética presente em “Viver” de Dead Fish
Se posso aprender também posso ensinar
Aberto ao novo e nunca cristalizar
Gritar, chorar, doer, pensar em mim
Viver o total, o mundo é e não é teu
- Dead Fish, Viver
Quem se abre ao novo não cristaliza. Mas o que é cristalizar? Entendo como parar no tempo, manter as tradições apenas por manter, conservar (e, portanto, ser conservador). Quem não se abre ao novo, cristaliza; conserva as tradições de forma irracional, reacionária e automática. Abrir-se ao novo é ir contra a cristalização, contra o reacionarismo e o conservadorismo. Não se trata de destruir tudo, mas sim de entender que é no novo que se encontra o elemento da mudança — que pode até beber do velho, mas sem manter a sua conservação total. É entender, também, que às vezes o que se apresenta como ‘novo’ pode muito bem ser o velho travestido.
Como disse Karl Marx em O 18 de Brumário de Luís Bonaparte:
”… todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes… a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.
Gritar, chorar, doer, pensar em si mesmo: é tudo tão inevitável quanto “viver o total”. Não existe outra opção, pois “o mundo é e não é teu”. O sujeito vive no total; a liberdade é coletiva. Não se trata de uma anulação do indivíduo, afinal, o mundo não é só seu, mas você faz parte dele. Você está no mundo, mas não sozinho. Vivemos sob leis que nem sempre são justas, em um mundo desigual, mas veja só: o mundo também é teu. Não se trata de ser um espectador da história; todo ser humano possui agência. Portanto, aprenda e ensine, defenda suas ideias, aceite as críticas e busque viver o melhor que puder — para si e para o mundo.