Primeira Parte: O autor propõe que a vida prodigiosa dos povos civilizados da América antes de Cristóvão Colombo tem relação com a sua “sangrenta excentricidade” (§1)

Para Bataille, a vida desses povos não é “prodigiosa” somente por sua descoberta e desaparecimento instantâneos, como também por sua “sangrenta excentricidade” (refeições canibais, cerimonias com cadáveres e etc).

Segunda Parte: O autor explora alguns aspectos da civilização Inca (em Peru, Cusco) em comparação com outros povos da América (§2-5)

Bataille faz uma análise de diversos aspectos da sociedade Inca, passando por sua arquitetura, organização social e produção artística, concluindo que havia “poucos traços brilhantes a relatar a respeito da civilização inca”. Diferente dos povos costeiros, de civilização mais antiga (Colômbia, Equador, Panamá e as Antilhas) e até mesmos os Tihuanaco (norte da Bolívia, região andina, não costeira).

Terceira Parte: O autor avalia a arte da civilização dos maias-quiché (§6-9)

Bataille concorda com a idéia de que a civilização dos maias-quiché é “a mais brilhante e mais interessante de todas as da América desaparecida”, tendo se desenvolvido alguns séculos antes da conquista espanhola, entretanto, em plena decadência quando os espanhóis chegaram. Considera a sua arte mais como a “mais humana” dentre todas as outras da América, e ainda que não tenha sido influenciada, compartilha características em comum com artes contemporâneas do Extremo Oriente, da arte khmer, como por exemplo, o seu “caráter de vegetação pesada e luxuriante”, proveniente de países quentes e insalubres.

Enquanto os mitos religiosos e organização social desse povo influenciaram o desenvolvimento de civilizações posteriores dos altos planaltos, sua arte possui algo de “natimorto, de insipidamente horrível a despeito da perfeição da riqueza do trabalho”.

Quarta Parte: O autor apresenta seu fascínio pelo povo asteca, sua religiosidade e as suas manifestações do divino (§10-17)

Bataille acredita que o povo asteca, dentre os diversos indígenas da América, “não deixa de ser o mais vivo, o mais sedutor, até mesmo por sua violência demente, por seu porte de sonâmbulo”, em sua visão, eram “bárbaros recentemente cultivados”. Critica os historiadores do México por conta das incompreensões sobre a forma que os astecas representam os deuses, apontando uma insuficiência nas classificações de “horríveis” ou “grotesca”, onde através do relato do monge Torquemada, que atribui os horrores da arte mexicana a uma manifestação de um “demônio que obsedava o espírito indígena”, aproxima justamente “a maneira de representar o diabo para os cristão e os deuses para os mexicanos”, mas ainda assim os demônios das igrejas europeias só seriam comparáveis aos deuses astecas se tivessem o seu “caráter de potência, a grandeza dos fantasmas astecas”, estes são os mais sangrentos “de todos que povoaram as nuvens terrestres”, mesmo que os demônios europeus compartilhem de uma mesma obsessão essencial.

Para os povos astecas, a religião era atrelada a um sentimento de “horror, de terror, aliado a uma espécie de humor ácido ainda mais apavorante que o horror”, e Bataille sugere que existe uma espécie de prazer com esse tipo de mistificação.

Quinta Parte: O autor verifica a relação dos povos astecas com a morte e a violência (§18-24)

Bataille acreditava que a morte nada significava aos astecas, e que os mesmos pareciam ter um “gosto excessivo pela morte”, que pode ser verificado inclusive pelo contraste entre as suas cidades floridas e os seus rituais sangrentos. Bataille avalia que por conta desse gosto, sofreram uma espécie de enfeitiçamento e se entregaram de braços abertos aos espanhóis, e por isso, Cortés não precisou tanto do uso da força, uma vez que eles mesmos quiseram servir de “espetáculo” e “teatro” a esses deuses caprichosos, ao seu “escárnio” e “divertimento”, morrendo tão bruscamente quanto um inseto que se esmaga.