Na filosofia tradicional e na ciência, costumamos ver o mundo sob a relação “sujeito-objeto”. Um “objeto” (do latim ob-jectum, aquilo que é lançado à frente; ou do alemão Gegen-stand, aquilo que fica de pé diante de nós) tem uma certa independência e autonomia. Ele se apresenta para nós com suas próprias fronteiras e características.
Contudo, Heidegger argumenta que, sob o domínio da técnica moderna, as coisas deixam de ser objetos. A técnica moderna impõe um tipo de descobrimento onde tudo passa a ser “requerido” para ser encomendado e consumido numa cadeia ininterrupta.
- Se você olha para o avião na pista apenas como um objeto, você vê suas asas, seu metal, sua forma. Mas, ao fazer isso, a verdadeira essência da máquina se oculta.
- Na verdade, o avião ali não é um objeto independente; ele é pura subsistência (fundo de reserva ou estoque). Ele está “cedido” apenas na medida em que é uma peça fundamental “solicitada para assegurar a possibilidade do transporte”. Ele precisa estar ali pronto para ser acionado, fazendo parte de uma engrenagem infinita.
Portanto, a transformação do mundo em “subsistência” significa o desaparecimento do “objeto”. As coisas perdem a sua dignidade de existirem por si mesmas e passam a existir unicamente em função da sua utilidade, prontas para serem exploradas, armazenadas e comutadas.