Em seu texto A Questão da Técnica de 1954, Heidegger busca pela essência da técnica indo além da concepção instrumental da técnica (que a enxerga como um meio para um fim), afirmando que a técnica não é meramente um meio, mas também um modo de desabrigar, em um sentido de um “levar para frente”, associado ao artístico, ao produzir (poíēsis) grego, Para Heidegger, a técnica é capaz de levar ao descobrimento da verdade.

Entretanto, a técnica moderna não descobre (ou como Heidegger chama, desabriga) no sentido da poíēsis (produzir), mas sim num desabrigar desafiante, onde a técnica (e portanto o homem) requere a natureza enquanto subsistência mediante a um desafio, a essa “invocação desafiadora que reúne o homem a requerer o que se descobre enquanto a subsistência” Heidegger denomina armação.

A armação é como se fosse, em outras palavras, as esferas de possibilidade da técnica, os modos de requerer a natureza enquanto subsistência, e Heidegger irá associar essa idéia a uma ideia de destino, onde o próprio âmbito da armação não deixa o homem absolutamente livre, mas sim, livre dentro do âmbito dessa própria armação.

Para Heidegger, a armação traz um risco enorme de reduzir toda a verdade a uma subsistência, onde o ser humano propriamente também se transforme em uma subsistência, ela oculta o próprio desabrigar enquanto tal (a poíēsis) e, consequentemente, impede o aparecer e imperar da verdade. Entretanto, dentro desses próprios riscos, existe uma salvação, que é a possibilidade do próprio ser humano poder tomar parte nesse desabrigar, ou seja, consentir.

Heidegger faz um apelo a arte pois entende que a reflexão decisiva sobre a técnica precisa acontecer em um âmbito aparentado com a essência da técnica (que sejam modos de desabrigar) ao mesmo tempo que é fundamentalmente diferente dela (um desabrigar não desafiante).

Ao retomar a arte como um sinônimo da técnica, Heidegger apela para a uma essencialização da técnica, enquanto um modo de desabrigar, que não objetive meramente em um requerer da subsistência, mas sim, num produzir, num levar a diante!