o compro-misso com a “revolução” nacional-socialista, emprestando de forma entusiasta o seu prestígio filosófico a uma causa mais do que duvidosa; a crença na missão de Adolf Hitler
Para ele o “engajamento (de Heidegger) no nacional-socialismo reside na essência da sua filosofia” (LÖWITH 1993, 142).
Como atesta a carta de 3 de abril de 1933 a Karl Jaspers, Heidegger era um entusiasta do movimento, sequioso de poder participar mais. (“Eu ainda esperava notícias definitivas sobre os planos para reorganizar as universidades. Embora muitas coisas permaneçam obscuras e questionáveis, acho cada vez mais que estamos emergindo em uma nova realidade, e que a velha era se encerrou. Tudo depende de saber se conseguiremos fazer a filosofia desempenhar o seu lugar certo e ajudá-la a fazer o seu trabalho” [OTT 1993, 141-142].)
Apesar do seu reconhecimento discreto, porém aparentemente sincero, do “fracasso da reitoria” (a “maior burrice die grösste Dummheit de sua vida” PETZET, apud LACOUE-LABARTHE 1987, 26, teria ele dito em particular, a sua crença ao que tudo indica tenaz na “grandeza interna” do “movimento” nacional-socialista (HEIDEGGER 1987, 217; tradução modificada), mesmo após o conhecimento do “horror” – como se fosse possível separar nele um cerne de pureza (a grandeza interna), distinguindo o de toda sorte de “insuficiências” e “grosserias” (HEIDEGGER 1983, 86) (i.e., o racismo) – a sua recusa enfática de “rever” o essencial de sua posição de 1933-1934, de fornecer uma retratação pública (ignorando a insistência nesse sentido de pessoas próximas), ou de simplesmente “pedir perdão” – não deixam de fornecer material para no mínimo uma reflexão sobre a ética da filosofia.