O 4 de Maio de 1919 foi o marco inicial do Movimento Quatro de Maio, um dos eventos intelectuais e políticos mais importantes da China moderna.
Contexto histórico
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A China havia participado da Primeira Guerra Mundial ao lado dos Aliados.
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No Tratado de Versalhes, as potências decidiram transferir as concessões alemãs na província de Shandong para o Japão, e não devolvê-las à China.
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Isso foi percebido como uma humilhação nacional e prova da fraqueza do governo chinês.
O que aconteceu em 4 de maio de 1919
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Cerca de 3.000 estudantes da Universidade de Pequim e de outras instituições protestaram em Pequim.
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As manifestações denunciavam:
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O imperialismo estrangeiro (especialmente japonês)
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A corrupção e submissão do governo chinês
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Houve prisões, confrontos e incêndios de casas de autoridades consideradas colaboracionistas.
Esse dia tornou-se o símbolo do movimento.
O Movimento Quatro de Maio
O 4 de maio foi apenas o início de um movimento mais amplo que se estendeu por meses e envolveu:
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Estudantes
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Intelectuais
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Trabalhadores urbanos
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Comerciantes
Greves e boicotes a produtos japoneses espalharam-se pelo país.
Importância intelectual
O movimento não foi só político, mas cultural e intelectual:
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Rejeição da cultura confucionista tradicional
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Defesa de:
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Ciência (kexue)
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Democracia (minzhu)
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Promoção da escrita em língua vernácula, em vez do chinês clássico
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Introdução e difusão de ideias:
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Liberalismo
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Socialismo
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Anarquismo
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Marxismo
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Consequências históricas
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Radicalização do nacionalismo chinês
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Formação de uma nova geração de intelectuais
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Fundação do Partido Comunista Chinês em 1921, diretamente influenciada pelo movimento
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Redefinição da identidade cultural chinesa
Em síntese
O 4 de Maio de 1919 representa:
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O despertar político da juventude chinesa
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A crise definitiva da ordem intelectual tradicional
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O início da China moderna em termos ideológicos
É o elo histórico entre pensadores como Liang Qichao, Yan Fu e Sun Yat-sen e o surgimento do marxismo chinês.