Escrever para si mesmo é uma coisa, escrever para os outros é outra, por isso, decidi começar a externalizar algumas reflexões. Ao escrever para si mesmo, creio que o que se faz é materializar ideias, que são germes para pensamentos mais elaborados. Acredito que pensamentos complexos são compostos de partes menores. Esse processo é valioso, mas fazer-se entender é uma habilidade à parte, e escrever para outros me obriga a exercitá-la: melhora minha capacidade de síntese e me força a revisar o que penso.

Eu acredito que é fundamental que as ideias sejam contestadas, pois considero que a produção de conhecimento se dá também através de um processo dialético de oposição de ideias contrárias, afinal, a história do pensamento é, no fim das contas, uma gigantesca sucessão de pensamentos contrários que produzem novas sínteses.

A internet multiplicou os espaços de debate — comentários, podcasts, fóruns. Nem sempre os resultados são positivos, mas não acho que a solução seja evitá-los. Certas ideias precisam ser refutadas. E o risco de descontextualização não é exclusivo dos debates: retirar argumentos de seu contexto é um problema próprio da teoria do conhecimento.

Ao externalizar algumas reflexões busco apresentar os meus pontos de vista com a esperança de que se contiverem equívocos, ou até mesmo discordâncias, que tais possam ser apresentadas, para que eu possa então rever as minhas opiniões ou até mesmo argumentar a favor de mim mesmo, mas de qualquer forma, como resultado desse debate, se produzirão novos germes que poderão dar início a novas sínteses.