Texto em HUI Yuk. Tecnodiversidade (2020)
Primeira Parte: O autor expõe o pensamento anti-iluminista de Kissinger (§1-3)
Neste trecho, Hui analisa alguns fragmentos de textos presentes em Kissinger, para então propor uma resposta ao seu artigo “How the Enlightment Ends”
Segunda Parte: O autor argumenta como o Iluminismo é um processo de universalização ocidental e as suas consequências (§4-7)
A partir de uma relação entre o pensamento de Kissinger e a ideia de uma decadência do Ocidente presente em Spengler, o autor demonstra como o Iluminismo não era apenas um movimento intelectual em busca da razão e racionalidade, mas um movimento essencialmente político ao situar o Ocidente como fonte de uma universalização. Expõe o dilema da globalização tecnológica utilizando o Japão como exemplo dessa autorrealização que leva a uma autonegação (“a dialética do iluminismo de um ponto de vista geopolítico”).
Terceira Parte: O autor avalia a sensibilidade as diferenças culturais presente no pensamento iluminista (§8,9)
O autor busca analisa a força universalizante do Iluminismo e defende que caracterizar o Iluminismo apenas como essa força, é ingênuo, defendendo que escritores como Voltaire valorizavam as diferenças culturais (portando se opondo ao pensamento de Herder).
Quarta Parte: O autor argumenta que a aceleração tecnológica é a continuação do Iluminismo e não sua ruptura (§10-13)
Para Hui, a aceleração é necessária a globalização, como uma forma de fazer o universalismo iluminista acelerar ainda mais (“nos processos de colonização e de modernização, diferenças tecnológicas também preservam e reforça diferenças de poder”).
Quinta Parte: O autor rejeita a noção de humanidade relacionando o aceleracionismo a um humanismo extremo (§13-16)
Hui questiona se suas noções exibem uma contraposição do universal e do relativo, criticando o relativismo tanto de esquerda quanto direita que rejeita integrar o universal ao particular. Para o autor, “as qualidade disruptivas e apocalípticas à aceleração não são de modo algum anti-humanistas”, mas sim, revelam um “humanismo extremo que luta para se salvar por meio da destruição em massa”, sendo assim, a “aceleração da desorientação” não cria uma saída para o eixo de tempo global.
Sexta Parte: O autor propõe uma nova forma de aceleração da tecnologia a partir das tecnodiversidades (§17,18)
Para escapar da “sincronização trazida pelo eixo de tempo global da modernidade ocidental”, Hui propõe que a tecnologia precisa de um nova direção do movimento, um novo referencial e uma nova orientação, defendendo uma reapropriação da tecnologia moderna “por meio da reflexão sistemática e da abordagem da questão das epistemologias e das epistemes à luz de múltiplas cosmotécnicas - ou, colocado de modo mais simples, da tecnodiversidade”.
Sétima Parte: O autor propõe a elaboração de uma estratégia geral para a reapropriação de tecnologias por meio da multiplicidade irredutível das tecnicidades (§19-21)
Hui não rejeita a noção de uma dimensão universal na tecnologia, afirmando inclusive que que a técnica é “antropologicamente universal no processo de hominização” e por isso propõe uma rearticulação da questão da tecnologia que seja capaz de conceber uma multiplicidade de cosmoéticas (não só a pré-moderna e a moderna).
Expõe alguns pensamentos de Herder e alguma de suas apropriações, propondo que o encerramento do Iluminismo deve ter como base essas apropriações (Gadamer Berlin e Taylor) para se entender “o poder transformativo da heterogeneidade em vez de regredir para um certo Volk [povo]“.
Para Hui, existe uma demanda por um pluralismo que funciona como um lembrete da necessidade da reapropriação da ciência e tecnologia moderna.
Oitava Parte: O autor explora as causas da consciência infeliz do fascismo e xenofobia (§22-23)
Partindo de uma reflexão com base na afirmação de “fim do Iluminismo” de Kirschner, o autor entende a mesma como a marca da “concretização de um único eixo de tempo global em que todos os tempos históricos convergem na métrica da modernidade européia”, relacionando a consciência infeliz do fascismo e xenofobia como frutos de uma desorientação que podem ser vista como uma “desterritorialização desejável e necessária do capitalismo contemporâneo, capaz de facilitar a acumulação para além das amarras temporais e espaciais”.
Explora o conceito de guerra como solução e a mentalidade colonial surgida com a modernidade, justificando que os mesmos são resultados de abordagens inadequadas da questão da tecnologia.
Nona Parte: O autor propõe uma nova abordagem para a questão da tecnologia para superar a universalidade e racionalidade do pensamento iluminista (§23,24)
Para Hui a tecnologia nunca foi abordada de maneira correta pois nunca se superou a visão da tecnologia enquanto ferramenta, nunca se superou os limites da utilidade e da eficiência. Portanto, Hui propõe uma noção de tecnologia que repense o seu processo histórico, superando essa universalização iluminista
Decima Parte: O autor propõe uma nova abordagem para a história da razão e de suas relações com a natureza e a tecnologia (§24-26)
Para Hui, essa relação precisa ser “construída e abordada de maneira diferente do que se tem feito”, portanto, é necessário “redescobrir múltiplas cosmotécnicas” sem recusar a tecnologia moderna, mas sim, reapropriando-se da mesma, atribuindo “outras posições as composições” (conceito heideggeriano presente em HEIDEGGER Martin. A Questão da Técnica (1954)).
”… precisamos escapar de seu eixo de tempo global, escapar de um (trans)humanismo que submete outros seres aos termos de nosso destino e propor uma nova agenda e uma nova imaginação tecnológicas que possibilitem novas formas de vida social, política e estética e novas relações com não humanos, a Terra e o cosmos.” (P95,§25)