Texto em HUI Yuk. Tecnodiversidade (2020)
Primeira Parte: O autor apresenta o pensamento neorreacionário e a relação dos seus componentes com a rejeição ao Iluminismo de Peter Thiel (§1,2)
A partir de uma afirmação de Peter Thiel sobre a “obsolescência do Iluminismo” e a caracteriza como “a principal atitude dos neorreacionários”, apresentando seus autores de maior destaque: Mencius Moldbug e Nick Land
Segunda Parte: O autor explica o conceito de “consciência infeliz” hegeliana e o associa ao pensamento neorreacionário contra o Iluminismo(§3-5)
Associa o pensamento de Thiel a condição da “consciência infeliz” hegeliana e explica da seguinte maneira:
“A consciência infeliz é o momento trágico em que a consciência percebe a contradição no âmago de sua natureza até então despreocupada ou mesmo cômica. O que a consciência-de-si pensava que fosse finalizado e inteiro se revela inacabado e fragmentado. Ela reconhece o Outro do eu como uma contradição, enquanto, ao mesmo tempo, não sabe como suprassumi-lo.” (P51, §3)
Terceira Parte: O autor compara a adoção dos neorreacionários a idéia de declínio do ocidente e da rejeição ao Iluminismo(§5,6)
Mostra como para os neorreacionários, “o Iluminismo em geral - e a democracia em particular - se mostra como um Outro alienado do eu”, analisando essa adoção a idéia de “declínio do Ocidente” como “a repetição de momentos históricos conhecidos”.
Quarta Parte: O autor detalha a incompatibilidade entre democracia e liberdade presente no pensamento neorreacionário com relação aos valores Iluministas (§7-10)
Hui analisa a crítica ao Iluminismo presente no pensamento neorreacionário relacionando esse debate com o Século das Luzes europeu, demonstrando como os neorreacionários apresentam essa consciência infeliz que causa uma confusão de sentimentos, e portanto, levando a um retorno aos pensadores conservadores do Iluminismo (uma negação da negação).
Quinta Parte: O autor associa o desejo por produtividade presente no pensamento neorreacionário a ideia de uma universalização apresentada como globalização (§10,11)
Explora a adoção do “sinofuturismo” como modelo e associa a ascensão dos neorreacionários a um fracasso de uma universalização apresentada como globalização, associando o seu pensamento a um “protesto em face de uma transformação dialética da globalização”.
Sexta Parte: O autor explica a universalização / sincronização enquanto um processo de modernização (§12-15)
Crítica a ideia de uma modernização reflexiva do século XX e concorda com Latour sobre a reflexividade como um modo de universalização por outros meios que não a guerra e explora as consequências dessa modernização enquanto universalização.
Sétima Parte: O autor exemplifica o caráter internacional do movimento neorreacionário e a sua relação com a globalização, propondo uma transformação na relação com a tradição (§16-18)
Para Hui, o movimento neorreacionário e a “alt right” são:
expressões de uma ansiedade quanto ao fato de o Ocidente ser incapaz de superar a atual fase de globalização e de manter os privilégios desfrutados ao longo das últimas centenas de anos (P65, §16)
Explora as manifestações do ultranacionalismo contemporâneo como em Dugin (quarta teoria política), Wan Chin em Hong Kong e crítica as revoluções comunistas por uma falha em respeitar a tradição, propondo então uma transformação na própria tradição para construir uma nova episteme.
Oitava Parte: O autor explora a ideia de singularidade como solução presente no pensamento neorreacionário (modernistas reacionários) (§19,20)
Apresenta a tática retórica da classificação dos empreendedores e de Trump como bode expiatórios e explora o pensamento dos neorreacionários que buscam a singularidade como solução tecnológica
Nona Parte: O autor propõe uma nova ordem mundial a partir do “derretimento” em oposição a universalização do projeto iluminista (§20-23)
O autor se opõe ao transumanismo de Land, propondo uma reestruturação, dissolvendo as velhas estruturas pelas novas tecnologias e novas formas de pensar, pensar uma nova história do mundo em oposição a universalização iluminista.
(EES) (2017) HUI. Sobre a consciência infeliz dos neorreacionários